novembro 7, 2012

O difícil é simplificar

Numa dessas manhãs, assisti na TV uma homenagem ao centenário de Nelson Rodrigues. Em determinado momento da reportagem, me chamou a atenção a fala do diretor de teatro João Fonseca, que contou: “Quando ele começou a fazer peças onde o linguajar era mais popular, vamos dizer assim, perguntaram – Mas os seus diálogos não são muito pobres? E ele respondeu – ‘Você não sabe o trabalho que me dá empobrecê-los’”.

Em seguida me veio à cabeça que adequar conteúdos de uma exposição para trabalhar com o publico escolar também não é uma tarefa fácil e tampouco apresenta diálogos pobres. É preciso levar em consideração não apenas a adequação da linguagem, mas o repertório do grupo, já que ensinar exige respeito aos saberes do aluno e não representa somente a transmissão de teorias prontas. Mas, ao mesmo tempo, cabe ao educador não só esbarrar na curiosidade ou no conhecimento prévio do aluno, pois compartilhar o que foi pesquisado para a exposição pode agregar ainda mais conhecimento ao repertório do educando. No final das contas, ensinar exige também pesquisa e muito comprometimento.

 O tema de uma exposição pode trazer indícios sobre o foco do curador, mas só estando na exposição para ver abrangência de assuntos que envolvem o tema em questão. Essa abrangência faz com que o educador foque em um assunto ou outro para trabalhar com o seu grupo, mas isso não que dizer que sua visita se restringirá a sua escolha, pelo contrário, durante a visita podem fazer parte deste recorte outros apontamentos levantados pelos visitantes e pela curadoria.

 Porém, cabe aqui ressaltar que o tempo de envolvimento que o curador tem com a mostra difere do tempo de pesquisa do educador. No primeiro caso, por exemplo, uma mostra pode apresentar o viés de uma pesquisa acadêmica de muitos anos de quem a curou. Já no segundo, o tempo de estudo é mais fugaz, pode acontecer num mês e meio antes da abertura da exposição e durante o período da mostra, intercalando com as visitas agendadas. Por isso que é importante o recorte que o educador faz para exposição, pois o mesmo tem que considerar não só a adequação da linguagem e o repertório do visitante, mas o tempo de visita e do seu preparo para a mesma. 

 Na prática educativa, a leitura do que se trata a exposição pode ocorrer simultaneamente a reflexão acerca das possibilidades que ela apresenta para trabalhar com o grupo de forma didática. Um bom exemplo disso é quando um educador no meio de uma conversa sobre a exposição sugere uma dinâmica ou uma atividade prática para aplicar com o visitante que dialoga com o fazer do artista. Diferente de uma simples releitura, essa atividade pode servir  para que o aluno entenda melhor o que o será apreciado e discutido na exposição. Neste momento, lembro-me de Paulo Freire1 que enfatiza a necessidade de uma reflexão crítica sobre a prática educativa: ela se torna uma exigência da relação entre Teoria/Prática sem a qual a teoria pode virar blábláblá, tornando-se apenas discurso, e a prática, transformar-se em ativismo em uma reprodução alienada, que não provoca questionamentos.

 Enfim, esses são alguns caminhos percorridos pelo educador para a adequação de conteúdos de uma mostra. Por isso, não ache estranho, pobre e nem simples ver um educador olhando para o teto junto com o seu grupo numa exposição.

Numa mostra de fotografia, por exemplo, essa ação pode ser fundamental para exercitar não só o olhar daquele que observa o teto como um ponto de vista a ser fotografado; mas pode possibilitar também um contato mais estreito com os alunos, deixando-os mais a vontade para exercitar suas opiniões. Desta forma, aprendemos com eles e, por consequência, ensinamos.

1.  Freire, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e terra, 2009.  

Roseli M. Evangelista

setembro 24, 2012

Manhãs e tardes culturais no IMS Poços de Caldas: uma parceria com a Escola Estadual Parque das Nações

Neste ano consolidamos algumas parcerias importantes para o Educativo do Instituto Moreira Salles (IMS) em Poços de Caldas. Cada uma destas parcerias se desenvolve com características distintas. Neste texto falaremos um pouco de um projeto que vem sendo realizado entre o educativo do IMS de Poços de Caldas e a Escola Estadual Parque das Nações (EEPN).

Esta parceria se iniciou neste ano de 2012 por uma iniciativa do diretor da EEPN, que procurou o setor EducAtivo do IMS-PC para propor a construção de ações conjuntas. Havia, por parte da escola, a vontade de participar das atividades do EducAtivo do IMS-PC, entretanto se esbarravam numa grande dificuldade: o transporte para os grupos. A solução encontrada foi que a escola arrecadaria dos alunos o dinheiro para o transporte.

Tendo em vista a distância da escola ao IMS e a consequente dificuldade de deslocamento destes alunos, pensamos em como poderíamos aproveitar ao máximo cada uma destas visitas. Disto surgiu a idéia da exibição de um filme antes da visita à exposição.

A proposta foi então realizar manhãs ou tardes culturais, onde um filme é escolhido para a exibição no espaço do cinema no IMS e deve ter relação com o conteúdo que está sendo abordado na disciplina de História pelos professores na escola, bem como com o tema da exposição em cartaz no IMS.  A intenção é sempre buscar um filme mais alternativo, fora dos circuitos comerciais. A combinação destes pré-requisitos impõe aos professores e educadores um grande empenho nesta busca, e por que não dizer, neste garimpo pelo filme. De volta à escola, são propostas aos alunos, atividades que desdobram os assuntos expostos no filme. Isto se dá através de um relatório, um questionário ou um seminário.

Após a exibição do filme fazemos uma breve pausa para um lanche descontraído embaixo da jabuticabeira da varanda do chalé Cristiano Osório. Este momento agradável de interação conduz os alunos ao clima pretendido para a próxima atividade: a visita à exposição.

Para esta etapa o Educativo elabora um roteiro específico para a exposição e para o grupo. Esta é a ação onde o educador se vê mais próximo aos alunos. Ali o educador não deve perder de vista algumas questões relacionadas à maneira de abordar e conduzir o grupo.

Uma questão importante é que, para alguns alunos, muitas vezes esta é a primeira experiência em um ambiente de exposição. Isto impõe ao educador um papel de responsabilidade com o que vai fazer, falar ou como vai se colocar diante dos temas abordados, questionamentos e provocações, de maneira a permitir o espaço para que os alunos possam se expressar com liberdade.  É relevante relacionar o tema abordado com a realidade dos alunos, considerando suas vivências, memórias, saberes, contextos, e referenciais identitários. Isto os aproxima da obra e os faz compreendê-la melhor.

Não existe mediador neutro. De certa forma ele agrega suas vivências aos assuntos tratados. A obra de arte também não é neutra. Ela é carregada de histórias, de memórias, contextos sociopolíticos, entre outros. A obra de arte tem em si o poder de comunicação. Um dos maiores desafios é o de conseguir criar formas para garantir uma comunicação direta entre a obra de arte e o expectador.

E foi, imbuídos destes conceitos, que desenvolvemos e concluímos esta terceira etapa da parceria entre o IMS e a EEPN, agradecendo o envolvimento de todos aqueles que participaram e colaboraram para a realização deste projeto.

agosto 1, 2012

Re-inventando olhares…

Manoel de Barros traz em suas palavras o valor dos objetos sem utilidade, aqueles que já não servem pra mais nada, aqueles que perderam a função, que sua única função no mundo é não ter função. Os objetos inúteis só servem para fazer poesia.

“Poesia é a virtude do inútil… o inútil só serve para isso mesmo, só serve pra se fazer poesia…”*

Um pedaço de papel, simples e frágil, recortado em círculo por fora, recortado em retângulo por dentro. Fácil de rasgar, de amassar, e leve, não pesa quase nada. Quando você olha pra aquele disquinho preto feito de papel cartão, riscado a lápis e cortado a mão com estilete e tesoura, parece mágica, sem explicação, sem qualquer comando o seu braço leva aquele retângulo vazado no disco em direção ao seu olho e quase que instantaneamente, magicamente o mundo passa a ser visto por dentro de um quadro.

O visor de papel tão singelo só pode tomar vida quando o encontro feito pelo corpo acontece, a mão segura o disco, os dedos pinçam o papel e, com um olho aberto e outro fechado, as fotografias mentais podem ser registradas. Um exercício de olhar, do olhar: enquadrar e perceber como pode caber em um mesmo quadro e momento tanta coisa. Leve seu braço para frente e toda composição de imagem muda, os recortes mudam, traga ele para traz e perceba como aquele mesmo lugar pode ser visto de maneira completamente diferente. Está feita sua máquina fotográfica imaginária, ela registra aquilo que seu olho viu no filme da memória.

“O olho vê / A lembrança revê / E a imaginação transvê / É preciso transver o mundo”*

Feche os olhos, sem medo, coloque suas mãos e sinta o que há dentro das sacolas sortidas. Feitas de chita e tecidos simples e baratos os saquinhos-surpresa guardam uma textura, uma sensação. Sensação de natureza, de conforto, de medo, de alegria, de áspero, de macio, de frio, de duro, de frágil… e de tantas coisas indizíveis.

Gravetos, algodão, folhas secas, penas, parafusos…
Tocar nesses materiais ordinários e se conectar com as possíveis sensações que eles podem remeter é uma tarefa de coragem e sensibilidade. O macio do algodão pode ser feliz? E o duro e frio dos parafusos, o que seria?

Sentir com o toque das mãos, privar-se de olhar e reconhecer que matéria é essa que se está tocando, e buscar a partir das sensações nas imagens fotográficas expostas alguma conexão. Seria esse um desafio?

Tato e visão, como podem eles se relacionar? E poesia, como ela entra nesse jogo?

“As coisas não querem mais ser vistas por pessoas razoáveis / Elas desejam ser olhadas de azul”*

Imagine-se um caçador em plena viagem, o terreno é desconhecido, é a primeira vez que você chega naquele lugar estranho, você é estrangeiro. Um povo estranho – Que língua eles falam? Que roupas eles vestem? Que festas são essas? Costumes tão diferentes… Sinta a temperatura desse lugar, sinta esses ventos… Perceba essa vegetação, cada passo pode lhe trazer uma nova descoberta.

Sua viagem ainda não terminou, escolha uma entre tantas imagens e veja. Tudo o que você está vendo é a partir dos olhos que lhe foram emprestados, olhos que lhes foram entregues em uma bandeja. Cada fotografia registra um olhar muito particular e que agora pode ser dividido entre tantos viajantes como você.

De dentro de um saquinho você tira uma palavra – sonho, morte, revelação… há muitas delas sortidas e há ainda muitas possibilidades mais de se pensar uma mesma palavra.
As imagens e as palavras se encontram, e aquela viagem torna-se mais densa. Foto e palavra, foto e poesia o que pode essa relação revelar?

Revelar, revelação, o que será isso? – Mostrar, expor… trazer à tona. Contar o segredo, aquilo que ainda não foi dito. Mostrar aquela imagem que ficou gravada no rolo de filme, mostrar a fotografia que ficou guardada na máquina?

Será que a imagem pode ser reveladora? Será que a imagem revela algo de quem a fez? E nós? Nossas conversas e impressões sobre uma imagem podem nos revelar também?

Buscar na imagens uma possível relação com determinadas palavras pode ser uma caçada, uma busca e até mesmo uma aventura. Discutir as relações e perceber as escolhas de cada um, quem sabe uma viagem… Quantas palavras posso perceber e encontrar numa imagem?

“Palavra poética tem que chegar ao grau de brinquedo…”*

A cada nova exposição que nasce, novos materiais educativos são (re)inventados. Lupas, visores, caça-detalhes, caça-palavras… Materiais ativadores do olhar, da percepção, materiais ativadores da conversa, do diálogo.

Há objetos que têm o poder de nos transportar pra outras dimensões, outros tempos, transformam-nos em outras pessoas. Quem é que nunca viu uma criança divertindo-se com um objeto que de longe parecia sem valor? Quantos cabos de vassoura não se tornaram cavalos e espadas nas longas batalhas da infância?

Os materiais educativos que surgem a cada nova exposição, que são (re)inventados e (re)criados talvez venham desse lugar na memória, do tempo em que bastava um objeto qualquer e muita imaginação para começar ali uma brincadeira que não tinha hora para acabar. Essas (re)invenções que chamamos de materiais educativos muitas vezes dependem dessa disposição infantil, dessa liberdade que transforma papel recortado em máquina fotográfica e que faz do algodão as nuvens do céu.

“A invenção é uma coisa que serve para aumentar o mundo”*

* falas do poeta Manoel de Barros, retiradas do filme Só dez por cento é mentira.

Luis Felipe Cambuzano (educador IMS/SP)

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julho 16, 2012

Luz, cedro e pedra – Esculturas do Aleijadinho fotografadas por Horacio Coppola

Olhar uma escultura, entalhes, ornamentos, percorrer o espaço trabalhado a partir de suas curvas e detalhes, dando a volta em torno do que se vê. O olhar percorre junto ao corpo que anda, dá voltas, sobe, desce, desdobra-se para a observação. Mas e a fotografia de uma escultura, de um entalhe, de um ornamento? O que ela pode explorar? Que partes da escultura ela pode capturar? Será o todo? Ou apenas detalhes? O que é possível perceber na imagem? Pode um objeto ser personificado?

O fotógrafo argentino Horacio Coppola, em busca da obra de Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (1730-1814), fotografou esses elementos em 1945, quando passou pelas cidades mineiras: Congonhas do Campo, Sabará e Ouro Preto.

A exposição, presente no IMS-SP a partir do dia 18 de julho, apresenta 81 imagens, 81 pontos de vista flagrados e concretizados por Coppola que podem ser vistos e apreciados por todos.

Coppola, em entrevista a Marcos Zimmermann em 2010*, quando indagado sobre o que considerava como uma boa fotografia, respondeu:

“Es la imagem completa, que contiene la realidade y su propio mundo.”
[E a imagem completa, que contém a realidade e seu próprio mundo].
E ainda na mesma entrevista, quando questionado sobre o que seria da fotografia no futuro, disse:
“No necessita mucha técnica porque está realizada por un aparato. Lo que importa es la cabeza y el ojo.”
[Não necessita muita técnica porque é realizada por um aparelho. O que importa é a cabeça e o olho].

Vale destacar que, para Coppola, Aleijadinho era considerado um artista integral – arquiteto, escultor e “ornamentista sacro”.

Vamos, então, ao encontro de dois mundos, consagrados pelas obras que nos deixaram estes dois artistas: Horacio Coppola e Aleijadinho. E aguçar nossos olhos e mentes para entrar em contato com esses universos, desvelando-os e percebendo o que há de novo e particular a partir dos olhos de Coppola.

O EDUCATIVO IMS convida grupos escolares e institucionais para uma investigação e aproximação do artista e sua obra, com práticas que articulam o fazer e o pensar arte para a construção de um olhar poético. As visitas podem ser marcadas de terça a sexta-feira, das 9h às 17h, pelo telefone 3825.2560. E nestas férias de julho, para crianças e familiares temos a oficina De uma escultura à foto que propõe um percurso de descoberta do olhar capturado por Coppola com elementos lúdicos e uma proposta dinâmica que explora o objeto tridimensional. Detalhes, você confere aqui no blog, no link programação na coluna de categorias ao lado. E mais informações, é só entrar em contato.

Aguardamos vocês!

Para saber mais sobre a exposição em cartaz no IMS-SP, acesse: http://ims.uol.com.br/Programacao/D1053

* Foto – São João Evangelista adormecido. Congonhas do Campo, MG, 1945 – Horacio Coppola/ Acervo Instituto Moreira Salles.
* http://www.revistaenie.clarin.com/arte/fotografia/viera-primera-vez-horacio-coppola_0_383961607.html, acesso em 7 de maio de 2012.

julho 10, 2012

Uma imagem vale quantas palavras?

Em julho, o Instituto Moreira Salles traz ao Rio de Janeiro um leque variado de poesia visual. Imagens concebidas por lentes fotográficas, bicos de pena e pincéis, preenchem as galerias. Serão exposições diferentes acontecendo simultaneamente. Cada uma conserva sua singularidade, sem que isso nos impeça de enxergar pontos em comum que as unem.

A exposição Um olhar sobre O Cruzeiro: as origens do fotojornalismo no Brasil, traz o trabalho de alguns fotógrafos ligados a revista O Cruzeiro e que fazem parte do acervo do Instituto. Entre eles, José Medeiros, Peter Scheier, Henri Ballot e Marcel Gautherot. Aborda ainda a história da imprensa ilustrada e a fotorreportagem, que deu à fotografia maior autonomia no jornalismo.

Raphael e Emygdio: dois modernos do engenho de dentro nos oferece desenhos e pinturas. Os trabalhos expostos foram produzidos por Raphael Domingues e Emygdio de Barros no ateliê de artes do Setor de Terapêutica Ocupacional e Reabilitação, enquanto pacientes do atual Instituto Municipal Nise da Silveira. Além do atual valor artístico de suas obras, para a Dra. Nise, fundadora do centro psiquiátrico, a produção plástica era uma porta de entrada para a psique, uma forma de comunicação com pacientes que tinham dificuldade de se expressar verbalmente.

Se, por um lado, as fotografias de O Cruzeiro se sobrepuseram ao texto na construção das reportagens, ganhando maior destaque e força na composição das matérias, por outro, a exposição de Raphael e Emygdio traz uma forma de comunicação que dispensa palavras.

Pensando nisto, nos perguntamos: Quantas coisas uma imagem pode dizer? Quantas palavras estão gravadas internamente naquilo que vemos? O que dizem as imagens que produzimos, selecionamos, organizamos, mostramos ou escondemos?

Para dinamizar esta reflexão, o programa Educativo do IMS-RJ preparou atividades que envolvem desenho, recorte, colagem e outras coisas mais, para que possamos mergulhar nas exposições vendo, fazendo, experimentando. Podemos construir nossa própria fotorreportagem com imagens do acervo do Instituto, fazer desenhos gigantes com lã colorida, descobrir novas formas de utilizar a cor nos desenhos, e deslizar nossas idéias como um pincel por onde a nossa imaginação nos permitir.

Os agendamentos para este tipo de atividade são gratuitos e podem ser feitos por grupos escolares, familiares, ou mesmo por grupos de amigos. Oferecemos também visitas à exposição para o público espontâneo de terça à sexta às 17h.

Esperamos por vocês!

Para saber mais sobre as exposições, acesse os links abaixo:

O Cruzeiro: http://ims.uol.com.br/Programacao/D1040

Raphael e Emygdio: http://ims.uol.com.br/Programacao/D1042

 

 

*Foto – “Carmem Miranda, década de 1940” – Jean Manzon / Acervo CEPAR Consultoria.

*Obras – À direita, nanquim e bico de pena sobre papel de Raphael Domingues (Sem título [retrato de Murilo Mendes], 1950).  À esquerda, óleo sobre papel de Emygdio de Barros (sem título, 19.10.1973). Museu de Imagens do Inconsciente.
junho 15, 2012

Em julho – Oficinas de férias no Instituto Moreira Salles

O Educativo do IMS preparou para o mês de julho atividades para as férias, que dialogam com as exposições em cartaz. Confira abaixo a programação de cada espaço cultural do IMS e veja como participar.

SÃO PAULO: Na divertida oficina “De uma escultura à foto”, crianças e seus pais poderão explorar o olhar fotográfico voltado para a escultura. O ponto de partida é a obra do fotógrafo argentino Horacio Coppola que, em 1945, fez uma passagem pelo Brasil e registrou a obra do escultor Aleijadinho nas cidades mineiras de Sabará, Ouro Preto e Congonhas do Campo.

Essas fotografias que compõem a mostra “Luz, cedro e pedra: esculturas do Aleijadinho fotografadas por Horacio Coppola” serão objeto de investigação e, assim, os participantes poderão conhecer a maneira como Copolla fotografou esse universo: os elementos que compõem as imagens, os pontos de vistas que se atêm particularmente a detalhes dos objetos, as formas presentes na composição, além de propor a relação do olhar para o tridimensional e para o bidimensional, explorando suas singularidades.

A oficina tem duração de 1h30 a 2h00 e ocorrerá nos dias 24, 25, 26 e 31/7, sempre às 14h00. Escolha o melhor dia e participe!
Para informações e inscrições, entrar em contato pelo telefone (11) 3825-2560, de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h, com o setor educativo.

RIO DE JANEIRO: A revista O Cruzeiro é o foco da exposição em cartaz no IMS RJ, intitulada “Um olhar sobre O Cruzeiro: as origens do fotojornalismo no Brasil”. O trabalho dos fotógrafos contratados e convidados pela revista é um mote para o tipo de reportagem que O Cruzeiro consolida no país: a fotorreportagem. A partir daí “a foto não se limita mais a ilustrar o texto, mas apresenta um ponto de vista especificamente visual sobre os acontecimentos”, diz Helouise Costa, curadora da mostra, em seu texto “Palco de uma história desejada: o retrato do Brasil por Jean Manzon”.

É por isso que a “Oficina Foto e Grafia” propõe a crianças e seus familiares a produção de fotorreportagens criadas a partir de imagens do acervo fotográfico do IMS. O papel do fotógrafo, do redator e do editor serão apresentados para que cada etapa seja elaborada segundo suas funções, importantíssimas para construírem o todo a ser contado na fotorreportagem.

A oficina tem duração de 1h30 a 2h00 e ocorrerá nos dias 19,20, 24 e 25/7, sempre às 14h30. Escolha o melhor dia e participe!
Para informações e inscrições, entrar em contato pelo telefone (21) 3284-7400, de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h, com o setor educativo.

POÇOS DE CALDAS: Para estas férias, além das já tradicionais sessões de cinema e de contação de histórias, as crianças poderão curtir, no IMS Poços de Caldas, a “Oficina de Retratos”, baseada na exposição “Retratos do Império e do Exílio”.

Retratos da família real no Brasil, no período do Império, e na França, no período do Exílio, são o foco da mostra. Essas imagens nos dão um panorama de como foram feitos os primeiros retratos fotográficos aqui no Brasil, as técnicas de fotografia utilizadas no século XIX e nos mostram como era a vida da família nos períodos descritos.

Num percurso pela exposição observaremos a postura, as vestimentas, os gestos e o cenário de cada retrato, para depois os participantes colocarem a mão na massa! Crianças e seus pais se tornarão “retratistas” e a partir de pequenas descrições poderão retratar alguns personagens. Dessa forma, terão a oportunidade de vivenciar os conteúdos da exposição de maneira lúdica.

A oficina tem duração de 1h30 e ocorrerá todas as quartas-feiras do mês de julho (dias 4, 11, 18 e 25) sempre às 13h30. (Nestes dias não acontecerá a contação de histórias). É necessário chegar com 30 minutos de antecedência, pois as vagas são limitadas. Escolha o melhor dia e participe!

Para mais informações, entrar em contato pelo telefone (35) 3722-2776, de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h, com o setor educativo.

E mais: Além das oficinas, as equipes do Educativo, nos três espaços culturais, oferecem visitas às exposições em cartaz para interessados em geral. No Rio de Janeiro, há ainda uma programação fixa com visitas sobre a casa e o jardim do Instituto, com foco na arquitetura e no paisagismo.

maio 4, 2012

Sempre igual. Sempre diferente.

Quando está para começar uma nova exposição, para nós, educadores, é sempre igual e, ao mesmo tempo, sempre diferente. Na esfera do “igual” estão as pesquisas, pois sempre investigamos a fundo sobre o conteúdo das obras a serem expostas, biografias dos artistas envolvidos e assuntos correlatos. Montamos uma grande rede de informações que se conectam entre si e que buscam revelar o todo que está sendo mostrado na exposição. No campo do “diferente” está o como vamos abordar essa rede de conteúdos com os visitantes. É como se a exposição fosse um novelo de lã bem enroladinho e bonito (como quando o compramos na loja) e a nós, educadores, coubesse a função de desenrolar o novelo com os visitantes – mesmo que isso possa formar alguns nós – para que possamos vê-lo de outro modo. O importante é considerarmos que a lã sempre será a mesma: ela só se apresenta de forma diferente, para que possamos conhecê-la sob outras perspectivas.

A elaboração de propostas educativas sempre considera um meio didático de abordar algo que a obra nos desperta, e tem sempre um objetivo, mas, assim como cada obra é única, o caminho que vamos construir com os visitantes nas vistas se mostra sempre diferente e único também. Podemos dizer isso considerando que cada grupo que aqui chega também é formado por pessoas diferentes, com referências, vivências e experiências bastante particulares.

Cada visita é singular, ou seja, não é algo reprodutível, embora sigamos um roteiro de atividades que criamos com objetivos bastante definidos. Se voltarmos à analogia com o novelo de lã, podemos dizer que a cada visita o desenrolamos de um jeito e que em cada visita o nó pode se formar em um lugar diferente, e será sempre de um modo diferente que tentaremos desfazê-los. É preciso admitir: nem sempre conseguimos.

Os visitantes podem sair de uma visita com um nó na cabeça, mas isso não significa que a visita tenha sido ruim. Às vezes isso pode significar exatamente o contrário. Esse nó é algo desafiador e o desafio em uma visita é algo muito importante: uma obra pode ser provocadora, uma pergunta feita pelo educador pode ser inquietante, um exercício que faz refletir sobre uma imagem pode parecer difícil e sem solução, e isso tudo pode ser muito bom se de alguma maneira tocar – educadores e visitantes – e causar o desejo de querer desatar todos esses nós.

Luciana Nobre (educadora IMS)

 

abril 19, 2012

Encontro com professores no IMS

A vida é a arte do encontro.

(Vinicius de Moraes)

 Se você perguntasse a dez professores o que é o Instituto Moreira Salles, quantos deles você acha que saberiam lhe responder? Destes, quantos saberiam citar cinco possibilidades diferentes de utilização deste espaço e do que nele tem para se desenvolver um trabalho com seus alunos?

Sobre estes assuntos se debruçaram os encontros com professores que aconteceram na segunda semana de abril nos centros culturais do IMS no Rio de Janeiro e em Poços de Caldas, e que são parte do projeto de parceria desenvolvido entre o Instituto e a Secretaria Municipal de Educação de cada uma dessas cidades. Estas parcerias garantem o acesso de escolas públicas municipais, provendo transporte e visitas gratuitas ao IMS com atendimentos educativos. Além de aumentar o público visitante da instituição, ações como esta fazem com que crianças, jovens e adultos tenham a possibilidade de visitar museus e espaços culturais pela primeira vez. Ou seja, trata-se de uma política de acessibilidade, mas é necessário levar em conta também a freqüência.

Nossa parceria com a SME do Rio de Janeiro e de Poços de Caldas nasce atrelada à ideia de que incentivar a frequência ao Instituto é tão importante quanto facilitar o acesso. Acreditamos que essa frequência passa pela criação de laços afetivos. Pensando nisso, realizamos encontros prévios com os professores envolvidos nas parcerias. Nestes encontros, pretendemos aproximá-los da instituição e estimular vínculos positivos, cientes da influência que a palavra de um professor tem em seus alunos e que, como diz a máxima, “a boca fala do que o coração está cheio”. Se o professor não percebe neste espaço nada que seja interessante, atrativo, se nada o afetar nem fizer sentido, se ele não se sentir próximo, como poderá contribuir para a aproximação dos seus alunos?

Está claro que o que pretendemos é mais que uma aproximação física. Existe um distanciamento cultural que queremos diminuir. Mas, para encurtar distâncias, precisamos primeiro mensurá-las. Daí a importância de descobrirmos o que nos afasta e o que nos aproxima.

Durante nossa conversa com os professores, percebemos que há um distanciamento pelo desconhecimento. Aos professores faltam ideias de como explorar o que os museus e centros culturais têm a oferecer de útil e pertinente ao seu trabalho. A nós, educadores do centro cultural, falta saber como o que temos pode ser útil e pertinente ao trabalho deles.

A preciosidade destes encontros está em descobrir como potencializar as experiências dos alunos, e isso depende de troca, de partilha. Daí o nome do projeto: “A escola e a instituição cultural – ações compartilhadas”. Talvez o leitor também possa nos ajudar, sugerindo diálogos entre estas duas esferas educativas, entre estes dois espaços de experiências. Esperamos pelas suas ideias, e que tenhamos nós também, ainda que virtualmente, um encontro.

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abril 2, 2012

Fotopoesia

Quem vê rapidamente a imagem ao lado pode achar que são apenas objetos aleatórios: um fonógrafo, uma escada e caixões. Mas, ao conectá-los ao título dado pelo autor, percebemos que é muito mais do que isso. A escada das escadas nos traz outro nível de complexidade.

A escada apoiada na porta é a referida no título, mas a forma como os caixões foram organizados nos mostram uma outra escada que pode simbolizar a subida ao céu.  A referência à ascensão ao céu é reforçada quando imaginamos que o fonógrafo emite a trilha sonora para este momento, que é tão cultuado no México.

Esta foto foi tirada em 1931 por Manuel Álvarez Bravo (1902-2002), fotógrafo mexicano considerado o maior representante da fotografia latino-americana do século XX.

Com vasta produção – entre as décadas de 1920 e 1990 – seus primeiros trabalhos fotográficos, no começo dos anos 1920, exploram alguns elementos da tradição fotográfica pictorialista.

Na segunda metade dos anos 1920, Álvarez Bravo desenvolveu uma abordagem mais experimental, formal e abstrata, influenciada pelos fotógrafos Edward Weston e Tina Modotti.

A partir dos anos 1930, as imagens refletem uma estética “fotopoética”, tendo a cultura e o povo mexicano como seu tema principal.

Para a mostra Manuel Álvarez Bravo: Fotopoesia, que ficará em cartaz no Instituto Moreira Salles de São Paulo até julho de 2012, foram selecionadas 250 fotos que cobrem 70 anos de trabalho do fotógrafo e incluem imagens surrealistas, flagrantes do México profundo e retratos de artistas com os quais conviveu, como o escritor francês André Breton, o cineasta russo Serguei Eisenstein e o casal de pintores mexicanos Frida Kahlo e Diego Rivera.

Conhecer a obra de Manuel Alvarez Bravo é perceber que seu trabalho – como o de qualquer artista – não está deslocado do seu tempo e seus contextos. Mas de que maneira seu repertório artístico, cultural, histórico, político e social reflete em suas fotografias?

Para conversar sobre esta questão e outras que a obra de Bravo possa suscitar, convidamos você a nos visitar. 

Para saber mais: http://ims.uol.com.br/Home-Programacao-SAO-PAULO-Manuel-Alvarez-Bravo-fotopoesia/D947

março 29, 2012

Ateliê Tutto Fellini

No dia 10 de março, juntamente com a abertura da exposição Tutto Fellini no IMS, o Educativo RJ realizou uma atividade que reuniu toda a família, onde pais e filhos puderam conhecer um pouco mais da produção de Federico Fellini.

Nesta oficina, abordamos umas das facetas do processo criativo de Fellini que foi importantíssima na construção de seus filmes: o desenho e a caricatura. O desenho era muito importante no processo de construção de suas obras, e seus personagens eram incomuns, seres bizarros e grotescos, mas incrivelmente humanos. Quem já assistiu a um filme de Fellini, deve se lembrar de algumas (ou muitas) figuras excêntricas.

Antes de ser um cineasta, Fellini é um criador de imagens, um desenhista, e isso desde pequeno. Como muitas crianças, uma das coisas que Fellini mais gostava era desenhar. Há pessoas que param com o passar do tempo, que inventam vergonhas, empecilhos ou desmerecimentos para o ato de desenhar, mas foi diferente com o cineasta italiano. Ainda no ginásio, no verão, lá ia Federico pela praia, de uma barraca a outra, todo vestido e de gravata, com papéis e giz debaixo do braço oferecendo retratos e caricaturas aos banhistas, uns desenhos engraçados, exagerados…

Por isso, como a ideia para esta atividade era unir um aspecto felliniano com algo pertinente ao universo infantil que não só permitisse como pedisse a interação com os adultos, o desenho nos veio como uma solução clara, quase óbvia, além de ser um canal instigante para se conversar sobre a obra de Fellini com crianças.

Toda a criança desenha, seja no papel, no chão, parede, com lápis, tinta ou com a comida.  Muitas vezes, o desenho é somente um emaranhado de linhas, traços, pontos e círculos que se sobrepõem em várias demãos: o importante é o prazer de produzir um traço. O fato é que o desenho acompanha o desenvolvimento da criança, traduzem suas percepções graficamente. Podemos ver através do desenho como elas se relacionam com a realidade e com os elementos da sua cultura. É por meio do desenho que a criança cria e recria formas expressivas, integrando percepção, imaginação, reflexão e sensibilidade. O desenho infantil é, portanto um universo cheio de mundos a serem explorados.

Nossa oficina foi um encontro de muitas conversas e trocas, na qual crianças e adultos puderam experimentar, reinventar, transformar e criar. Fomos puxando e tecendo fios a partir das considerações dos visitantes para assim construirmos a idéia de caracterização na obra do Fellini. Tudo com muita descontração e brincadeira, pois já dizia Piaget que a atividade lúdica é o berço obrigatório das atividades intelectuais da criança.

E assim, depois de muita conversa, aos riscos e rabiscos, construímos juntos a ideia de caracterização presente na obra de Fellini, onde todos puderam criar seus personagens. Foi uma tarde de muita criação, troca, experimentação, risos e dúvidas, sim isso mesmo, dúvidas! Que bom que ainda haja a dúvida, que existam respostas que se coloquem como novas perguntas, porque assim conseguimos criar um lugar de continuada interrogação.    

O Educativo IMS oferece atividades como esta, gratuitamente, para grupos agendados. Nelas, podemos visitar e conversar sobre as exposições em cartaz, o jardim do Instituto ou sobre a sua arquitetura. A casa está aberta. Esperamos a sua visita – e pode vir quantas vezes quiser: assim, a gente fica cada vez mais em família. 

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